terça-feira, 10 de abril de 2012

O ÓBVIO. O INEVITÁVEL. A VIDA. (Mais um Outono...)

No outono passado (2011) as conclusões a que cheguei foram, comprovadamente, pérolas que me nortearão pelo resto da vida.
Pensei e falei sobre ela, exatamente ela... Eu não me canso de pensar e falar sobre ela... a senhora dona VIDA.

Entendi naquele outono que VIVER é se emocionar... é experimentar.
Entendi que SOBREVIVER não é, nem de longe, a plenitude da VIDA.
Decretei, novamente, o já estabelecido e inalterável:  QUEM É A PLENITUDE da VIDA. #ELE #JESUS.
A MINHA VIDA. (Pra sempre.)

E daquele outono ao que chegou ...
Eu... EXPERIMENTEI... na pele... (de novo)

...Gargalhadas gostosíssimas, altas e longas... a sensação de felicidade que quase levava ao êxtase, só de ouvir uma música boa... a alegria de carregar nos braços e receber o sorriso sem dente mais gostoso do universo, depois de cantar para a bebê mais linda que já conheci (Ana Clara!!)... conversas booooas, de reflexão, cumplicidade, sonhos e até bobagens... abraços de aconchego que faziam o tempo parar... beijos capazes de elevar ao céu, sem sair do lugar... sussurros de “eu te amo”, como juras eternas de compromisso, que penetravam na alma como a mais perfeita música aos ouvidos... vislumbres de uma VIDA, não mais de uma metade, mas de um inteiro se unindo a outro...
EXTREMOS...
...Me encontrei com as minhas mais profundas e dolorosas verdades... descobri muitas (minhas) fragilidades... decidi enfrentá-las, não me curvei a elas... tive medo das mudanças... senti insegurança... chorei por não saber o que fazer... tive raiva de não poder ser diferente, por não poder oferecer o que tanta gente oferece por aí... escolhi um novo ninho, disposta a carregar pedra na cabeça se fosse preciso... eu queria voar, sem me esquecer de onde vim, mas chegar aonde tanto sonhei... o passarinho só queria construir seu ninho...
SURPRESAS...
...Chorei  litros, rios, semanas, (quase completaram-se) meses...

E é mais um outono.
As conclusões não vão mudar.


"Todos os dias é um vai-e-vem...
A vida se repete na estação...
Tem gente que chega pra ficar...
Tem gente que vai pra nunca mais...
Tem gente que vem e quer voltar...
Tem gente que vai e quer ficar...
Tem gente que veio só olhar...
Tem gente a sorrir e a chorar...
E assim chegar e partir... São só dois lados da mesma viagem...
O trem que chega é o mesmo trem da partida...
A hora do encontro é também despedida...
A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar...
É a vida desse meu lugar... é... a vida..." (Encontros e Despedidas)

É mais uma estação. De trem ou de tempo. Não importa. O ciclo não muda.
Nem nesse outono, nem no próximo, nem no outro, nem nunca...

Porque VIVER, para o homem, é o risco constante e ininterrupto de vulnerabilidade e exposição ao imprevisto, inesperado e fora do próprio controle. #euemeusbotões

É a MÚSICA, inédita, elaboradíssima, refinada com arranjos que sempre te surpreendem.
Arranjos só conhecidos pelo PRÓPRIO ARRANJADOR.

O homem não conhece os arranjos da MÚSICA da sua VIDA porque não foi ele quem os escreveu. Ele apenas executa a partitura escrita pelo Maestro que os criou (a ele e aos arranjos).

Quando a música começa a ficar tão mais intensa... Se prepare!
Pode não haver um RALENTANDO... Pode ser que se vá direto a uma PAUSA.
Porque o que menos se espera em meio a tanta intensidade acaba se tornando o mais óbvio, para que sejam surpreendidos os ouvidos.
A PAUSA. Ausência de som. Silêncio. Vazio.

No vazio você quer entender; quer argumentar; quer mudar tudo num passe de mágica; quer sentir raiva mas não consegue; quer fechar o acesso pra sempre; quer simplesmente ser mais um na multidão, porque os valores e princípios (dEle – que você escolheu) te fazem “sem graça demais”...
No vazio não se pensa com clareza.
No vazio não há esperança de uma nova perspectiva.
No vazio nada faz sentido.
No vazio não há respostas.
No vazio não há certezas.
No vazio não há prazer pra continuar.
No vazio não há presença.
No vazio não há vontade (de nada, pra nada, de ninguém).
No vazio não há o que possa substituir o que se foi.
No vazio é tudo assim... simples e angustiantemente... vazio.
Óbvio.
Que, no vazio... deixa de ser tão, imponentemente, óbvio assim.

O óbvio seria continuar tudo como era antes de a PAUSA chegar.
Mas nem sempre a partitura continua no mesmo compasso.
Mudança de compasso traz requinte, revela a genialidade do arranjador.
Mudança de compasso causa estranheza à maioria dos ouvidos leigos e acostumados a coisas óbvias.
Nem sempre quem está a sua volta vai entender a mudança de compasso da música da sua vida. São todos meros executores das músicas das próprias vidas.

Quem EXECUTA a música não tem a “legitimidade”, não tem a opção ou permissão, para questionar o arranjador. (Meus caros colegas, operadores do Direito, compreenderão melhor...) (Eu e meus dois mundos... Música e Direito... #vaientender)

Executores apenas seguem o que foi positivado, escrito, decretado, determinado.

O ARRANJADOR da música da minha vida foi o professor de Mozart, Bach, Strauss, Handel, Tom Jobim, Vinícius de Moraes...
Genialidade que inspirou as mais rebuscadas sinfonias e as mais inesperadas harmonias e dinâmicas. (ah, Bossa Nova e MPB... riqueza divina! #nãopodiaperderessa)

Eu tentei questionar. Tentei entender. Não concordei. Não achei justo.
Esses últimos arranjos não soaram de forma agradável aos MEUS ouvidos.
Não gostei da PAUSA. Não gostei do ritmo. Não gostei de nada. #fato
Mas O INEVITÁVEL... aquilo que vai além do que eu queira controlar... não me resta alternativa.

Como MERA EXECUTORA dessa MÚSICA chamada VIDA... eu sei... sim, EU SEI, que me falta legitimidade pra questionar Seus arranjos. Cada introdução... Da capo... Ralentando... e ela... a imponente: PAUSA.
Na ausência do som... no vazio que precede o próximo compasso... há espaço pra tanta coisa...

Os “por quês”, provavelmente, nunca serão explicados, muito menos entendidos.
Mas a MÚSICA da VIDA muda o compasso e o que é óbvio não te surpreende mais.
O momento sempre é uma surpresa, mas o óbvio... você já sabe que ele é... inevitável.

É inevitável amar.
É inevitável sofrer.
É inevitável chorar.
É inevitável perder.
É inevitável decidir.
É inevitável... crescer.

Uma hora... a gente aprende.
Uma hora... o equilíbrio te acha.
No meio do vazio. No meio da Pausa.
Entre um compasso e outro.

Você aprende... a deixar a fila andar... a deixar ir o que não quis ficar... a enxugar o rosto e esperar as próximas lágrimas (porque elas virão.)... a deixar pra trás o que você ainda ama fazer e te deu tanto prazer durante anos, mas que precisa dar lugar ao que vai te dar prazer para o resto dos seus dias... a escolher como gente grande e deixar de ser moleque... a valorizar o que realmente importa... a CONSTRUIR VIDA e não apenas “curti-la”...

Você aprende que o AMANHÃ vai chegar. O HOJE vai passar. E de tanto apenas “curtir”, talvez você não tenha construído NADA.

Você aprende o óbvio.
Você entende o inevitável: Você não manda em NADA. Não é dono de NADA. Sozinho não pode NADA. Sem ELE (quem te deu a vida)...Você é simplesmente... NADA.

“ Porque nele vivemos, e nos movemos e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração." (Atos 17.28)

A Pausa te ajuda a colocar ordem no caos.
E, com todo respeito... que se exploda quem não entende.
PAUSA também É MÚSICA.
Pra continuar VIVENDO... se MOVENDO e EXISTINDO... nEle... faça bom uso da Pausa.
A MÚSICA continua. Depois da PAUSA... talvez não mais no mesmo ritmo previsível de antes.
Mas...

O ciclo continua.
Gente vem. Gente vai. A fila anda. Você ama de novo. Sofre de novo. Chora de novo.
Abraça de novo. Beija de novo. Sonha de novo. Ri de novo.
Gente vai. Gente vem. Você perde de novo. A fila anda... É o óbvio. O inevitável.
.
A VIDA.